Exposição Gêneros do Teatro de Bonecos
 
A exposição introduz a origem histórica e o funcionamento mecânico das principais técnicas de manipulação do Teatro de Bonecos apresentando bonecos de luva, fio, vara, marote, balcão, tringle e sombra.

Marionete de Balcão
Derivado do Bunraku japonês, que utiliza três manipuladores por boneco, este gênero difundiu-se pelo ocidente originando muitas variações. Dentre as quais, se destaca a curiosa forma de teatro onde os marionetistas se vestem de preto e se tornam invisíveis pelo jogo de luzes.

Este gênero é chamado informalmente de boneco de balcão, por este ser apoiado num pedestal ou mesa. Normalmente, o boneco é manipulado por trás, diretamente ou através de varas, por um ou mais marionetistas.

Marionete de Fio
No Brasil, são chamados de “marionetes” os bonecos de fio. De construção complexa e manipulação difícil, podem ter dezenas de fios que convergem para a cruz de manipulação, onde ficam ao alcance das mãos do marionetista.

É um gênero que permite movimentos próximos dos movimentos humanos. Por ser acionado por fios, o marionete se move de modo lento e delicado. Para o desenvolvimento da técnica de manipulação, o marionetista precisa conhecer o comportamento do movimento de um pêndulo aplicando–o ao boneco.

Boneco de Luva
Chamado no Brasil de fantoche, o boneco de luva é o mais praticado no mundo. É conhecido como Guignol na França, Punch na Inglaterra, Karsperl na Alemanha e Pulcinnella na Itália. No Brasil, se desenvolveu na forma do Mamulengo do Nordeste.

Por seu caráter anárquico, cômico e contestador, o boneco de luva se identificou com temas populares, criando uma linguagem própria e preferindo a rua como seu teatro.

De manipulação difícil, este boneco exige muito do marionetista que deve manipular e interpretar, às vezes, duas personagens ao mesmo tempo. Dizem que o boneco de luva é o único boneco onde corre sangue dentro, o sangue das mãos do marionetista.

Boneco de Marote
Variação simplificada do boneco de vara, este gênero se presta bem para figurações e dança. Não possui controles nas mãos nem na cabeça, mas o bom manipulador pode tirar muitos efeitos de seus movimentos soltos.

Boneco de Sombra
Manifestação antiga e popular em várias culturas, consiste basicamente numa fonte de luz que projeta a sombra de uma figura, transparente ou não, em uma tela branca. Sua origem milenar parece ser a Índia ou a China.

Na China, as silhuetas são construídas em pele de burro, boi ou ovelha e, depois de raspadas e tratadas para se tornarem transparentes, são tingidas com nanquim colorido.

Na Índia as companhias são organizadas em torno da família do marionetista principal. As lâmpadas a óleo de coco são as mais utilizadas e as apresentações têm caráter religioso.

Marionete a Tringle
Do francês tringle (vara). Estes bonecos têm o corpo sustentado por uma haste metálica fixada na cabeça. Pode-se adicionar movimentos de cabeça, pernas e mãos de forma simplificada.

Tradicionalmente praticado ao sul da Itália, na Bélgica e no norte da França. É considerado o precursor do boneco de fio. Por ser movido por varas de ferro, o boneco a tringle apresenta movimentos muito ativos, bruscos e rápidos.

Marionete de Vara
Montado sobre uma vara principal que sustenta o conjunto, este gênero é derivado do Wayang, boneco da ilha de Java, Indonésia. A técnica se expandiu modernamente por todo o mundo através de numerosas variações.

O boneco de vara é manipulado de baixo para cima e o marionetista é oculto por uma tapadeira. No caso do Wayang de Java, o manipulador opera o boneco sentado no chão e a tapadeira é uma faixa de tecido baixa. No teatro de vara do ocidente, os marionetistas manipulam de pé, atrás de uma tapadeira alta.

Normalmente, o boneco possui apenas uma vara. Quando presentes duas varas, o marionetista deve ser muito habilidoso para operá-las ou contar com um auxiliar.