Aventuras no Reino Negro
 
 
Em maio de 1972 estreou a segunda montagem do Giramundo: Aventuras no Reino Negro. Enquanto A Bela Adormecida foi adaptado de um conto famoso, Aventuras no Reino Negro foi escrito por Álvaro Apocalypse, que expressava uma preocupação pouco comum, como tema, para a época: a ecologia.

A história narra a luta entre o Reino Negro, do Rei do Esgoto, e o Reino Verde, do Rei Tancredo. O Rei do Esgoto transforma a princesa do Reino Verde em flor e provoca a guerra. Surge, então, uma fada, Joana, para mostrar que o caminho não é a guerra e sim uma borboleta dourada que teria o poder de neutralizar o encanto.
 
Álvaro Apocalypse - depoimento
O Reino Verde estava sendo invadido pelas chamas, pelas queimadas. O Reino Negro era um reino vizinho que pôs fogo no mato. E o rei Tancredo, do Reino Verde, estava tristíssimo com aquilo que estava acontecendo. Porque as pessoas estavam indo embora do Reino Verde. Quem lamentava a situação do Reino Verde era o coro. Nós introduzimos pela primeira vez um coro que era fácil de manipular, tudo espetado em pau. Ficávamos eu, Madu e Tereza a manipular. Eram três personagens apenas e eles comentavam o que se passava no Reino Negro.

Nós introduzimos muitas técnicas interessantes, como uma ponte pencil, em que o fundo era de espelhinho picado. Os personagens pisavam na ponte, a ponte balançava e refletia neles o espelho e dava idéia que a ponte estava suspensa sobre a água mesmo.

Esse segundo trabalho já teve alguma preocupação com Escolas, porque nós tivemos concorrências absurdas como, por exemplo, o exército que levava elefante para o Parque Municipal, distribuía pipoca de graça e uma série de coisas para conquistar a população. E nós levávamos o espetáculo sozinhos. A gente ia de grupo em grupo, de escola em escola, entrava em sala de aula, distribuía os ingressos, os volantes do espetáculo. Foi um período difícil e nós só apresentávamos no Teatro Marília.