El Retablo de Maese Pedro
 
 
O compositor espanhol Manuel de Falla (1876-1946) recebeu convite da Princesa de Polignac para escrever uma ópera para seu teatro de bonecos (Madri - 1919). O músico escolheu os capítulos XXV e XXVI de Don Quijote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, como assunto do trabalho. Manteve o texto original e pesquisou o folclore da Espanha para aclimatar a estrutura musical.

A montagem do Giramundo de El Retablo de Maese Pedro estreou em 1976, sendo a primeira apresentação completa desta ópera no Brasil: com orquestra, cantores e bonecos. A princípio, apenas os bonecos pequenos (mouros e cristãos) estavam previstos mas, posteriormente, os personagens dos cantores também foram transformados em bonecos, desta vez, de grande porte e baseados no bunraku japonês.
 
Álvaro Apocalypse - depoimento
Aí veio o Festival de Inverno e o maestro Magnani (Sergio Magnani, professor da UFMG e atualmente condutor da Orquestra de Câmara do SESI) nos convida a participar da montagem de El Retablo de Maese Pedro, obra de Manoel de Falla, baseada em Cervantes. Ele queria que fizéssemos apenas os pequenos bonecos do “Retablo”. O capítulo escolhido por de Falla como base do roteiro musical trata de uma apresentação de teatro de bonecos, assistida por Dom Quixote. Este pequeno teatro é o El Retablo de Maese Pedro).

Já havia um Dom Quixote, cantor, de carne e osso. Aí eu propus o seguinte: “Vamos fazer tudo de boneco e colocar os cantores ao lado”. Nós colocaríamos a orquestra na frente, os bonecos no meio do palco e os cantores nas laterais. Todas as tardes a gente ensaiava as cabeças de quem ia cantar, que eram o Mestre Pedro, o Trujaman e Dom Quixote. Aí o Trujaman de vez em quando falava assim: “Vejo um senhor, como está triste...”, então ele fazia a voz do personagem: “Cavalheiro que por aqui passaste, não viste Dom Quixote?”, mas era a voz do cantor, como se ele estivesse narrando.

Então foi uma experiência muito boa, juntando músicos do mundo inteiro, professores do Festival de Inverno, a regência genial do maestro Magnani, o Giramundo e os cantores. Foi um acontecimento. A coisa mais emocionante que eu já tive na minha vida foi ver uma orquestra parar para um boneco dar seus passos: era o Dom Quixote.